Othello
Texto:
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Othello de José António de Freitas [tradução de Othello de William Shakespeare ]
Ficha do espetáculo
Brazão - Othello
João Rosa - Iago
Virgínia - Desdémona
Carolina Falco - Emília
Augusto Rosa - Cassio
Augusto Antunes - Brabâncio
Torres - Montano
Joaquim Costa - Rodrigo
Ferreira da Silva - Cassio
Apresentações
(7)
| Data de Início | Data de Fim | Local |
|---|---|---|
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23-11-1882 |
1883 |
TNDMII - Teatro Nacional D. Maria II / Theatro de D. Maria II |
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06-1884 |
1884 |
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10-03-1885 |
10-03-1885 |
TNDMII - Teatro Nacional D. Maria II / Theatro de D. Maria II |
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28-07-1887 |
28-07-1887 |
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08-08-1887 |
08-08-1887 |
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22-02-1899 |
1899 |
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18-01-1901 |
18-01-1901 |
Registos
(18)
- •«Theatros - Othello»in O Jornal do Comércio(1882-11-18)por Chrystovam AyresOthello
- •«Chrónica Occidental»in Occidente(1882-11-21 p.257)por Gervásio LobatoOthello
- •«Othello»in Diário de Notícias(1882-11-23)por Júlio César MachadoOthello
- •«Teatro D. Maria II - primeira representação do Otelo»in O António Maria(1882-11-23 p.480)por Rafael Bordalo PinheiroOthello
- •«Theatros - Othello»in O Jornal do Comércio(1882-11-24)por Chrystovam AyresOthello
- •«Theatros - Othello»in O Jornal do Comércio(1882-11-29 p.1)por Chrystovam AyresOthello
- •«Teatro de D. Maria - o Otelo»in O António Maria(1882-11-30)por Rafael Bordalo PinheiroOthello
- •«Chrónica Occidental»in Occidente(1882-12-01 p.266)por Gervásio LobatoOthello
- •«Através dos palcos - Teatro D. Maria - Otelo, a tragédia»in Diário Ilustrado(1882-12-05)por Gabriel CláudioOthello
- •«O Othello II»in Occidente(1882-12-21 p.282)por SpectatorOthello
- •«Companhia do Theatro de D. Maria II»in Correio Paulistano(1887-08-08)Othello
- •in Livraria Ferreira(1915-12-31)por Augusto RosaOthello
- •«Shakespeare em Portugal»in Empresa da Revista de Teatro Lda.(1925-12-31)por BrazãoOthello
- •in Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa(1941-12-31)por Maria do Céu Saraiva JorgeOthello
- •«Teatro D. Maria - Otelo»in Diário Popular(1945-02-16 p.2)por Jorge de FariaOthello
- •«25 de Janeiro de 1894»in Livraria Clássica Editora(1953-12-31 p.375)por Fialho de AlmeidaOthello
- •(1955-12-31 p.368)por Matos SequeiraOthello
- •«Shakespeare, Rosas e Brazão»in Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa(1985-12-31 p.233)por João Almeida FlorOthello
Observações
trata-se da estreia do Othello de William Shakespeare em português, em Lisboa, no Teatro D. Maria II, por uma companhia de teatro profissional; o espectáculo estreou-se na récita em benefício do actor Eduardo Brazão, depois de um adiamento em relação à data prevista, causado pela constipação do actor João Rosa; o projecto partiu do actor Eduardo Brazão, que o preparou durante dois anos, chegando mesmo a deslocar-se a Londres para ver de perto a escola inglesa [SPECTATOR: 1882]; o espectáculo foi montado com inusitado luxo e totalmente a expensas da companhia, já que o Estado só contribuía com a cedência do teatro. As cenas foram pintadas pelo italiano residente em Portugal e colaborador da companhia, Luigi Manini, e figuravam o raiar da madrugada em Veneza, a transparência anilada do céu, colorindo-se pouco a pouco (…); a galeria dos doges, recortando no fundo as suas rendas de pedra; a ilha de Chipre surgindo no seio das ondas; os aposentos do Mouro, de uma opulência principesca, mas severa [CLÁUDIO: 1882]; Eduardo Brazão, na figura do mouro Otelo, deu-nos um estudo shakespeareano consciencioso [SPECTATOR: 1882]; a sua prestação é elogiada pela transformação que imprime à personagem no desenrolar da acção, pela dicção e pela eloquente expressão corporal: No último acto, a entrada de Otelo na alcova conjugal, o seu furor concentrado, a sua expressão lúgubre, o seu olhar incerto, o seu gesto brusco, dá-nos logo a sensação do facto que vai cumprir-se. A voz apavora-nos, o seu olhar tem lampejos que cegam, nas suas mãos hirtas adivinham-se as garras da fera que vai estrangular a pomba. [CLÁUDIO: 1882]; igualmente célebre ficou o desempenho de João Rosa no papel de Iago, havendo desta prestação a memória da maneira como estudou as inflexões para a frase várias vezes dita a Cássio, “- Mete o dinheiro na bolsa!”, correndo até a história de que o afamado actor italiano Emmanuel (com o mesmo espectáculo em cena), ao ver este Otelo que então se apresentava em 1887 no Brasil, terá dito que um Iago representado assim bem podia dar o título à tragédia; Virgínia foi quase perfeita, faltando-lhe perder uma certa hesitação nos primeiros actos. [E]m todo (…) [o] último acto (…) deu uma interpretação muito correcta. Quando Otelo a estrangula, o grito sufocado que lhe sai da garganta comprimida é uma nota perfeita, de uma verdade que chega a arrepiar. Sente-se lá dentro, por detrás das cortinas corridas do leito, toda a tragédia horrível que o espectador acompanha na sua ideia já que seria forte de mais presenciá-la com os seus olhos. [AIRES: 29-11-1882, p. 1]; a sua voz foi unanimamente elogiada, especialmente a maneira como declamou a Canção do Salgueiro; Augusto Rosa no papel de Cássio interpretou com desusado relevo a cena da embriaguez e os restantes actores acompanharam bem; o actor Torres foi propositadamente contratado para o papel de Montano; a tradução, assinada pelo brasileiro e homem de letras, José António de Freitas, foi unanimamente aclamada pelos críticos, resultando em locuções fáceis e numa opulência de vocábulos com um sabor vernáculo sem derivar no escolho dos arcaísmos. [CLÁUDIO: 1882]; o Ministério do Reino enviou à empresa um ofício, louvando-lhe a representação; chegam-nos até hoje imagens que documentam o espectáculo, algumas delas tratadas numa base de dados desenvolvida no âmbito do projecto do Centro de Estudos de Teatro denominado Opsis; a apresentação de 18-01-1901 corresponde à festa artística do actor João Rosa
Fontes
consultar o campo Registos; trabalho "A comédia do teatro de Gervásio Lobato" de Ana de Carvalho, aluna do curso de Mestrado em Estudos de Teatro da FLUL, 2000-2002; Dossier - Arquivo Eduardo Brazão/ cronologia. Presidência do Conselho de Ministros/ Secretaria de Estado da Cultura/ Instituto Português do Património Cultural; ficheiro pessoal de Carlos Porto (crítico de teatro)